A ATRAIIR SUSPEITAS SOBRE SI MESMO
AS “QUEIXINHAS” DA UNITA
Se o MPLA mereceu o «puxão de orelhas» aplicado pela CEAST e o «cartão amarelo» do seu Presidente, a UNITA, pelas posições que vem assumindo, já começa a fazer muito boa gente pensar se é tão inocentinha assim nesta estória. Ou seja, se não andou mesmo a «atiçar» os kalupetecas para o que poderia ser um banho de sangue que poderia depois utilizar, ou para uma revolta geral no país, ou para fragilizar o seu arqui-rival com uma acusação de eliminação étnica às costas.
É que, se a actuação do seu secretariado provincial no Huambo, por obra e graça de Liberty Chyiaka no princípio foi a todos os títulos exemplar – condenou inequivocamente os actos da seita, seja no «sequestro» das populações, seja na resistência às autoridades – tão logo se intrometeram os «iluminados de Luanda, entenda-se os radicais como Raul Danda e Victorino Nhany, para citar apenas os que deram a cara, as coisas começaram a dar para o torto. Ao ponto que a UNITA começou a atrair suspeitas sobre si própria.
O primeiro tiro no pé foi dado por Raúl Danda. Ao dizer em entrevista à Voz da América que as forças da ordem teriam morto mais de 700 pessoas, antes mesmo de se deslocarem ao Hambo para constatar in loco o que realmente se tinha passado, deu mostras de uma gritante falta de responsabilidade de Estado, mais uma vez. É que, a acusação é grave demais para ser passada para a comunidade internacional sem ser verificada, como aliás Danda sabe como jornalista que é. Deu a parecer que a UNITA já sabia o que iria acontecer e tinha um plano de disseminação já engatilhado. Plano esse que disparou sem confirmar as informações no terreno.
O segundo erro foram as afirmações que o seu SG fez em conferência de imprensa. As fontes que apresenta para as graves acusações que faz são extremamente fracas. Em linguagem técnica jornalística dir-se-ia que não cruzou nem se preocupou em verificar a fiabilidade das fontes. Porquê? Porque ela já tinha uma ideia pre-concebida do que queria transmitir e o resto… era resto.
Em terceiro lugar, a UNITA faz acusações tão graves que, só ficam por isso mesmo porque, em termos de Comunicação Política, o MPLA é tão mau ou pior que ela. Porque vir a público e dizer que centenas de crianças estão nas bermas das estradas porque os seus pais foram eliminados, com as fontes que diz possuir, num país sério seria passível de procedimento criminal. Com todas as consequências dali advientes.
Em quarto lugar: se a UNITA apenas agora está a levar uma acção de recolha de informações no terreno – ao fecho desta edição já se tinha encontrado com o Governador Provincial – por que cargas d´água já foi fazer queixinhas «às embaixadas sedeadas em Luanda»? O que pretende ela ganhar com isso que seja de valor acrescentado para as populações cujos direitos diz defender? Ou será que isso tudo não passa, afinal, e como vai insinuando o MPLA, o resultado de um plano – macabro nesse caso – da UNITA na sua saga, algumas vezes correndo fora da pista, para alcançar o Poder?
Só o futuro dirá, pois essa estória ainda vai fazer correr muita tinta. Mas que os actos da UNITA criam uma certa suspeição, lá isso criam…
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